Há 13 anos
domingo, 11 de abril de 2010
dúvida
É como se fosse aquele restinho da cerveja que tu não sabe se bebe ou joga fora. Aquela mistura de baba, espuma e cerveja quente.
domingo, 4 de abril de 2010
Waking Life
Temos que ir na maré alta, o mar não recusa o rio. A ideia é manter num estado constante de partida e ficando sempre na chegada. Isso poupa apresentações e despedidas. A viagem não precisa de explicações, apenas de ocupantes. É como se tivesse vindo a este planeta com uma caixa de lápis de cera. Você pode conseguir uma caixa com oito ou então uma caixa com dezesseis, mas o importante é o que vai fazer com os lápis, as cores que lhe são dadas. Não se preocupe em desenhar dentro das linhas ou colorir fora delas, pode colorir fora das linhas, está me entendendo? A cor sai da página.
Estamos velejando no oceano, não estamos presos em terra.
*
O motivo de me recusar a aceitar que o existencialismo é como outra moda francesa ou curiosidade histórica, é que eu acho que ele tem uma coisa muito importante para nos oferecer no novo século. Eu sinto que estamos perdendo as virtudes verdadeiras de viver a vida apaixonadamente, no sentido de ter responsabilidade pelo o que você é, a habilidade de fazer alguma coisa por você e se sentir bem com a vida. O existencialismo é sempre discutido como se fosse uma filosofia do desespero mas eu acho que a verdade é bem ao contrário. Uma vez entrevistaram Sartre e ele disse que nunca sentiu um dia de desespero na vida, mas uma coisa que percebo vendo estes homens, não é um sentimento de angústia sobre a vida mas é uma espécie de exuberância, de se sentir acima disso, como se a vida fosse sua para criar.
Eu li os pós-modernistas com algum interesse, até admiração, mas quando eu leio sempre tenho uma sensação até ruim que alguma coisa totalmente essencial foi deixada para fora. Quanto mais se fala sobre uma pessoa, como uma construção social, ou como confluência de forças, ou fragmentada, ou marginalizada, o que você faz é abrir um mundo totalmente novo de desculpas, e quando Sartre fala sobre responsabilidade, não está falando sobre uma coisa abstrata, não está falando sobre o tipo de alma que os teólogos discutiriam, é uma coisa muito concreta, é você e eu conversando, tomando decisões, fazendo coisas e aguentando as consequências. Pode ser verdade que existam uns seis bilhões de pessoas no mundo, no entanto, o que você fizer, fará diferença. Faz diferença, primeiramente, em termos materiais. Faz diferença para outras pessoas e isso dá um exemplo, quer dizer, em resumo eu acho que a mensagem é que nunca devemos simplesmente nos acharmos ou nos vermos como vítima de várias forças, é sempre nossa decisão quem nós somos.
*
A busca é se libertar do negativo. O que é nossa própria vontade para nada. E quando falamos ''sim'' no momento, a afirmação é contagiosa. Se abre uma corrente de afirmações que não conhece limites. Dizer ''sim'' na hora certa, é dizer ''sim'' para toda a existência.
*
Há dois tipos de sofredores neste mundo: os que sofrem por não terem uma vida e os que sofrem por terem muita vida. Eu sempre me considerei da última categoria. Se começar a pensar nisso, quase todo comportamento e atividade humana não é essencialmente diferente do comportamento animal. As tecnologias mais avançadas e artesanatos, nos levaram, no máximo, até o nível de super chimpanzés. Na verdade, a lacuna entre, digamos, Platão e Nietzsche e a média humana, é maior do que a lacuna entre aquele chimpanzé e a média humana. O reino do verdadeiro espírito, do verdadeiro artista, do santo, do filósofo, é raramente atingido. Por que tão poucos? Por que a história e evolução do mundo não é uma história de progressos, mas sim uma adição fútil e infinita de zeros? Nenhum valor maior foi desenvolvido, e os gregos, três mil anos atrás, eram tão avançados quanto somos. O que são essas barreiras que não deixam as pessoas chegarem a nenhum lugar próximo de seu verdadeiro potencial? A resposta a isso pode ser encontrada em outra pergunta, que é esta: qual é a principal característica do universo humano? Medo ou preguiça?
*
- Escuta, podemos fazer isto de novo? Eu sei que não nos conhecemos, mas eu não quero ser uma formiga, sabe? Quer dizer, vivemos nossas vidas com nossas antenas balançando uma pra outra, continuamente no piloto automático, com nada realmente humano exigido de nós. ''Pare'', ''vá'', ''ande aqui'', ''dirija ali'', toda ação basicamente pra sobreviver, toda comunição simplesmente para manter esta coluna de formigas andando de uma maneira eficiente e educada. ''Pegue seu troco'', ''papel ou plástico?'', ''crédito ou débito?'', ''quer que coloque catchup?''. Não, eu não quero uma migalha, eu quero momentos realmente humanos! Eu quero te ver, quero que me veja, eu não quero desistir disso, eu não quero ser uma formiga, sabe?
- É, é, nem eu! Eu também não quero ser uma formiga. E obrigado por ter esbarrado em mim, eu to andando no piloto automático ultimamente, não me sinto uma formiga na minha cabeça, mas eu acho que devo parecer uma. É como DH ...(não entendi o nome do cara) teve a ideia de duas pessoas se encontrarem na rua e ao invés de só passar e ir embora, eles resolveram aceitar o que ele chama de ''confronto entre as almas''. É como libertar os deuses corajosos de dentro de nós.
Estamos velejando no oceano, não estamos presos em terra.
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O motivo de me recusar a aceitar que o existencialismo é como outra moda francesa ou curiosidade histórica, é que eu acho que ele tem uma coisa muito importante para nos oferecer no novo século. Eu sinto que estamos perdendo as virtudes verdadeiras de viver a vida apaixonadamente, no sentido de ter responsabilidade pelo o que você é, a habilidade de fazer alguma coisa por você e se sentir bem com a vida. O existencialismo é sempre discutido como se fosse uma filosofia do desespero mas eu acho que a verdade é bem ao contrário. Uma vez entrevistaram Sartre e ele disse que nunca sentiu um dia de desespero na vida, mas uma coisa que percebo vendo estes homens, não é um sentimento de angústia sobre a vida mas é uma espécie de exuberância, de se sentir acima disso, como se a vida fosse sua para criar.
Eu li os pós-modernistas com algum interesse, até admiração, mas quando eu leio sempre tenho uma sensação até ruim que alguma coisa totalmente essencial foi deixada para fora. Quanto mais se fala sobre uma pessoa, como uma construção social, ou como confluência de forças, ou fragmentada, ou marginalizada, o que você faz é abrir um mundo totalmente novo de desculpas, e quando Sartre fala sobre responsabilidade, não está falando sobre uma coisa abstrata, não está falando sobre o tipo de alma que os teólogos discutiriam, é uma coisa muito concreta, é você e eu conversando, tomando decisões, fazendo coisas e aguentando as consequências. Pode ser verdade que existam uns seis bilhões de pessoas no mundo, no entanto, o que você fizer, fará diferença. Faz diferença, primeiramente, em termos materiais. Faz diferença para outras pessoas e isso dá um exemplo, quer dizer, em resumo eu acho que a mensagem é que nunca devemos simplesmente nos acharmos ou nos vermos como vítima de várias forças, é sempre nossa decisão quem nós somos.
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A busca é se libertar do negativo. O que é nossa própria vontade para nada. E quando falamos ''sim'' no momento, a afirmação é contagiosa. Se abre uma corrente de afirmações que não conhece limites. Dizer ''sim'' na hora certa, é dizer ''sim'' para toda a existência.
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Há dois tipos de sofredores neste mundo: os que sofrem por não terem uma vida e os que sofrem por terem muita vida. Eu sempre me considerei da última categoria. Se começar a pensar nisso, quase todo comportamento e atividade humana não é essencialmente diferente do comportamento animal. As tecnologias mais avançadas e artesanatos, nos levaram, no máximo, até o nível de super chimpanzés. Na verdade, a lacuna entre, digamos, Platão e Nietzsche e a média humana, é maior do que a lacuna entre aquele chimpanzé e a média humana. O reino do verdadeiro espírito, do verdadeiro artista, do santo, do filósofo, é raramente atingido. Por que tão poucos? Por que a história e evolução do mundo não é uma história de progressos, mas sim uma adição fútil e infinita de zeros? Nenhum valor maior foi desenvolvido, e os gregos, três mil anos atrás, eram tão avançados quanto somos. O que são essas barreiras que não deixam as pessoas chegarem a nenhum lugar próximo de seu verdadeiro potencial? A resposta a isso pode ser encontrada em outra pergunta, que é esta: qual é a principal característica do universo humano? Medo ou preguiça?
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- Escuta, podemos fazer isto de novo? Eu sei que não nos conhecemos, mas eu não quero ser uma formiga, sabe? Quer dizer, vivemos nossas vidas com nossas antenas balançando uma pra outra, continuamente no piloto automático, com nada realmente humano exigido de nós. ''Pare'', ''vá'', ''ande aqui'', ''dirija ali'', toda ação basicamente pra sobreviver, toda comunição simplesmente para manter esta coluna de formigas andando de uma maneira eficiente e educada. ''Pegue seu troco'', ''papel ou plástico?'', ''crédito ou débito?'', ''quer que coloque catchup?''. Não, eu não quero uma migalha, eu quero momentos realmente humanos! Eu quero te ver, quero que me veja, eu não quero desistir disso, eu não quero ser uma formiga, sabe?
- É, é, nem eu! Eu também não quero ser uma formiga. E obrigado por ter esbarrado em mim, eu to andando no piloto automático ultimamente, não me sinto uma formiga na minha cabeça, mas eu acho que devo parecer uma. É como DH ...(não entendi o nome do cara) teve a ideia de duas pessoas se encontrarem na rua e ao invés de só passar e ir embora, eles resolveram aceitar o que ele chama de ''confronto entre as almas''. É como libertar os deuses corajosos de dentro de nós.
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