sábado, 27 de março de 2010

sentar e conversar um pouco mais

Muita gente acha que me conhece e na real não sabem nada de mim. Conversar uma vez que outra não significa conhecer. E acho que uma pessoa, pra me conhecer DE VERDADE, tem que conseguir chegar lá no fundo, sabe? Porque no começo normalmente a gente passa uma imagem que nem é nossa. E quando a pessoa consegue entrar na nossa intimidade, percebe que somos totalmente diferentes.
Não é querer dar uma falsa impressão. É normal do ser humano passar uma imagem que não é a dele.
Acho que isso acontece comigo. E tenho certeza que mais da metade das pessoas que eu falo, não me conhecem de verdade.
Eu não tou aqui agora pra me apresentar pra vocês e falar sobre minhas qualidades e defeitos. Só queria falar sobre uma coisinha que anda me atucanando.
Esses dias saí com um amigo e conversamos horrores e em meio a tantas conversas, entramos em um assunto que me fez dizer pra ele que pra mim vale mais passar horas e horas conversando com alguém que eu gosto, que estar ficando com ela. Não que eu seja assexuada e não goste de ficar com as pessoas. Não é isso. É só que eu me contento com pouco (apesar de não achar uma conversa pouca coisa), sabe? Posso ser exigente em alguns aspectos, mas nesse não sou mesmo. Acho que o mais importante não é o lugar em que vamos ir, a roupa que vamos usar, se vamos ficar ou não. Eu me contento simplesmente com a pessoa ali do meu lado. Acho que isso tá de bom tamanho e o que vier depois disso, é lucro.
O problema é que as pessoas são apressadas demais e nem querem saber de nada, só de chegar chegando. Aí acontece que passam o dia inteiro só naquela lenga-lenga de se beijar e não fazer nada mais de útil e fica uma relação a base disso. Sem conversa. Sem risadas. Sem nada.
Eu não gosto disso. Eu gosto de trocar ideias, de conversas construtivas às vezes e uns papos mongolões. Isso é fundamental. Só que as pessoas não entendem isso.
Só queria que as pessoas com as quais eu me relaciono entendessem isso e soubessem que se não quiserem mais nada comigo, é só chegar na sinceridade e falar, que eu fico de boa. Desde que a pessoa não saia da minha vida, tá beleza. Tá na hora de começar a conservar essas amizades.
Para encerrar, citarei um trecho de "O apanhador no campo de centeio", do Salinger, que fala exatamente sobre isso:

"- De qualquer maneira, gosto disso aqui, agora. Assim como estou agora. Sentado aqui contigo, batendo papo e só...
- Mas isso não é uma coisa!
- É muita coisa! Claro que é! Por quê não ia ser? As pessoas nunca acham que um troço assim é alguma coisa. Já estou ficando cheio disso."

interesses: demonstrações públicas de afeto

Às vezes eu acabo exigindo muito dos outros. Acabo pensando que se eu trato uma pessoa de tal maneira, a pessoa tem que me tratar igual. Sei que tá errado, mas é sem querer. Sei que tenho muitos amigos que não são de demonstrar o que sentem, ao contrário de mim, que demonstro de todas as formas possíveis e não consigo guardar nada aqui dentro.
Esses dias uma amiga veio falar comigo sobre o fato de eu ter me afastado dela. E eu disse: "resolvi me afastar porque não vejo motivo em tentar ficar do lado de alguém que não demonstra interesse em mim." Ela respondeu: "eu gosto de ti muito mais do que tu pode imaginar."
Tá aí o problema. Eu não quero que todas as pessoas mudem seu jeito de ser só pra eu ter noção do que elas sentem por mim, não é isso. Só que eu não vou insistir, sabe? Se a criatura não demonstra estar feliz na minha companhia, eu pulo fora. E depois sobra pra quem? Pra mim, que me afastei "do nada".
Então, meus amigos que não curtem demonstrar o que sentem, só peço pra que vocês sejam sempre sinceros comigo, da mesma forma que eu sou com vocês, e que quando eu não estiver agradando, é só falar. Porque aí eu largo de mão. Mas me digam de vez enquando que eu tou agrando, caso eu esteja mesmo, porque aí vocês não correm o risco de me perder.