Muita gente acha que me conhece e na real não sabem nada de mim. Conversar uma vez que outra não significa conhecer. E acho que uma pessoa, pra me conhecer DE VERDADE, tem que conseguir chegar lá no fundo, sabe? Porque no começo normalmente a gente passa uma imagem que nem é nossa. E quando a pessoa consegue entrar na nossa intimidade, percebe que somos totalmente diferentes.
Não é querer dar uma falsa impressão. É normal do ser humano passar uma imagem que não é a dele.
Acho que isso acontece comigo. E tenho certeza que mais da metade das pessoas que eu falo, não me conhecem de verdade.
Eu não tou aqui agora pra me apresentar pra vocês e falar sobre minhas qualidades e defeitos. Só queria falar sobre uma coisinha que anda me atucanando.
Esses dias saí com um amigo e conversamos horrores e em meio a tantas conversas, entramos em um assunto que me fez dizer pra ele que pra mim vale mais passar horas e horas conversando com alguém que eu gosto, que estar ficando com ela. Não que eu seja assexuada e não goste de ficar com as pessoas. Não é isso. É só que eu me contento com pouco (apesar de não achar uma conversa pouca coisa), sabe? Posso ser exigente em alguns aspectos, mas nesse não sou mesmo. Acho que o mais importante não é o lugar em que vamos ir, a roupa que vamos usar, se vamos ficar ou não. Eu me contento simplesmente com a pessoa ali do meu lado. Acho que isso tá de bom tamanho e o que vier depois disso, é lucro.
O problema é que as pessoas são apressadas demais e nem querem saber de nada, só de chegar chegando. Aí acontece que passam o dia inteiro só naquela lenga-lenga de se beijar e não fazer nada mais de útil e fica uma relação a base disso. Sem conversa. Sem risadas. Sem nada.
Eu não gosto disso. Eu gosto de trocar ideias, de conversas construtivas às vezes e uns papos mongolões. Isso é fundamental. Só que as pessoas não entendem isso.
Só queria que as pessoas com as quais eu me relaciono entendessem isso e soubessem que se não quiserem mais nada comigo, é só chegar na sinceridade e falar, que eu fico de boa. Desde que a pessoa não saia da minha vida, tá beleza. Tá na hora de começar a conservar essas amizades.
Para encerrar, citarei um trecho de "O apanhador no campo de centeio", do Salinger, que fala exatamente sobre isso:
"- De qualquer maneira, gosto disso aqui, agora. Assim como estou agora. Sentado aqui contigo, batendo papo e só...
- Mas isso não é uma coisa!
- É muita coisa! Claro que é! Por quê não ia ser? As pessoas nunca acham que um troço assim é alguma coisa. Já estou ficando cheio disso."
Há 13 anos

As lembranças que nos encantam quando o momento passa não são as que envolvem "loucura física", são as que tem essência. Porque é isso que permanece, depois que passa. Não o momento, o prazer sexual, mas as conversas que se teve, a afinidade e o prazer de se sentir compreendido, de sentir que se está acompanhado e não sozinho.
ResponderExcluirSei que tu entende isso. E sei que tu é capaz de entender que quem não for entender isso, não vale á pena. Por mais que doa.
Te entendo perfeitamente. Não gosto de relacionamentos baseados em pegação. A história vale muito mais, o sentimento vale muito mais, as conversas valem muito mais. Acredito que tu vai me entender quando digo isso. Vale muito mais quando a pessoa marca pra nós, quando mesmo depois que tu não vê mais tanto a pessoa ela fica guardada em ti e tu se sente bem ao lembrar da pessoa. Isso tudo vale muito mais do que quando a gente considera que uma pessoa beija bem ou tem pegada. Não, isso não é importante. Pode ser bom, mas não é importante. Não existe sensação melhor que a de se sentir compreendido, de sentir que a pessoa que ta do teu lado não quer estar do teu lado só porque te acha atraente, mas porque entende o que tu sente, porque concorda com as coisas que tu diz, se sente parecido contigo e gosta de ti por aquilo que tu é, e não pelo corpo que tu tem.
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