quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

"Todo dia o mesmo caminho. A mesma rotina. Rostos já vistos antes, as mesmas ruas, o mesmo cheiro - as mesmas cores borradas pela falta de atenção. Enquanto os pés fazem o caminho habitual, a mente vai longe nos planos: verão, viagem, faculdade. De vez em quando o discurso de formatura vira agradecimento de Oscar, só depende do dia. Só depende. Fixo os olhos no pé direito e o mundo gira. Eu acompanho... no compasso pra não cair."
"- Tipo ácido - ela disse enquanto pegava o copo da mesa.
- Como assim? - indaguei, limpando o círculo de água que eventualmente mancharia a madeira.
- Que nem o cara que mergulhava o corpo das vítimas numa banheira de ácido, coisa e tal. Deve ser a pior dor... Mas depois não sobra nada, entende?
Ela me olhava como se fosse clara e pululante a ligação entre o Vampiro de Londres e o meu recente desamor.
- Mas sempre ficam as lembranças. - retruquei.
- Num dado momento elas cessam de pertubar o sono. Aí tu vai ver de perto... - ela suspirou e deu um passo à frente - e não tem mais nada ali... Só o ácido.
Ela deu um último gole, largou o copo na pia e me abraçou.
- Tá, esquece a droga do ácido... O que eu sei é que passa. E quando tu quiser alguém pra manchar essa tua mesinha de canto, me liga.

Sempre tive bons amigos."

City of angels

- If you'd known this was going happen, would you have done it?
- I would rather have had one breath of her hair, one kiss of her mouth, one touch of her hand, than an eternity without it. One.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Eu era uma concha vazia. Como uma casa vazia, por meses sem ninguém - uma casa condenada -, eu era completamente inabitável. Agora havia algumas melhorias. A sala da frente estava em reformas. Mas era só isso - só um cômodo pequeno.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Eu plantei em segredo e, em segredo, venho mantendo, sementes de abóbora no jardim de várias pessoas. Pessoas que eu achava que precisavam ver crescer no seu jardim um canteiro de abóboras.

domingo, 3 de agosto de 2008

sexta-feira, 18 de abril de 2008

eu sei que não tinha meu par ideal
mas a gente se via sempre que podia
não sei porque me apeguei tanto
a responsabilidade é minha
você não me deve nada
mas não sou capaz de ir embora

sábado, 29 de março de 2008

a little princess

"O que quer que aconteça", disse ela, "não pode mudar uma coisa. Se sou uma princesa em trapos e andrajos, posso ser uma princesa por dentro. Seria fácil ser princesa se eu estivesse vestida com tecido de fios de ouro, mas é um triunfo muito maior ser princesa o tempo todo, sem ninguém saber."

the kite runner

- Como pode saber? - perguntei.
- Eu sei.
- Como?
Ele se virou para mim. Algumas gotinhas de suor escorriam de sua cabeça raspada.
- Já menti para você, Amir agha?
De repente, resolvi implicar com ele.
- Sei lá - respondi. - Já?
- Mil vezes comer cocô! - exclamou ele com ar indignado.
- De verdade? Você faria isso?
Ele me lançou um olhar desconcertado.
- Faria o quê?
- Comer cocô, se eu mandasse - respondi. Sabia que estava sendo cruel, como naquelas vezes em que debochava dele quando não conhecia uma palavra qualquer. Mas havia algo de fascinante, embora de um jeito doentio, em implicar com Hassan. Era um pouco como brincar de torturar insetos. Só que, agora, ele era a formiga e eu é que estava segurando a lupa.
(...)
- Se você mandasse, faria, sim - disse ele afinal, olhando bem para o meu rosto. Baixei os olhos. Foi aí que descobri como é difícil olhar diretamente nos olhos das pessoas como Hassan, essas pessoas que dizem sinceramente o que pensam.