quarta-feira, 26 de maio de 2010

Eu quero erro, ar e vida!

Já faz um tempo desde que eu comecei a viver dentro de uma bolha. Não é uma maneira boa de ser viver, eu sei. Me privei de muitas coisas que poderiam ter dado certo, por medo. Medo de me entregar, de ser feliz por algum tempo e depois tudo começar a dar errado como normalmente acontece.
E eu fui seguindo assim, dando um ponto final quando eu via que as coisas estavam ficando bonitas. E sempre acabava mesmo, porque nunca insistiam, nunca realmente tentaram furar essa minha bolha.
Esses dias me disseram que isso não é certo, que até dá para entender o meu lado, mas que isso me faz tão mal. Ficar negando um sentimento, a vontade de estar junto, uma tentativa de felicidade.
Pensei muito a respeito disso. E pensei em tudo de bom que eu posso ter perdido nesse tempo todo. Não quero mais me privar de nada. Acho que eu tô bem naquela idade de arriscar, de "o que tiver que ser, será", sabe? Eu quero tentativas, eu quero acertar, eu quero errar, eu quero aprender, eu quero me perder, eu quero VIVER.
Se der errado, FODA-SE, foi bom enquanto durou. A gente se machuca, claro que sim, mas uma hora passa e logo tudo dá certo de novo. Sempre vale a tentativa. Acho que uma das coisas mais bonitas da vida é essa história toda de se arriscar, de tentar. Até de errar. Porque sempre se aprende algo.
Eu tô disposta a sair dessa bolha e viver DE VERDADE e INTENSAMENTE tudo que me é proporcionado, sem pensar em como vai ser o amanhã.
Mas será que tem alguém disposto a furar essa bolha pra tentar junto comigo?



"Pra falar, pra arriscar, seja livre até pra se perder."

quinta-feira, 20 de maio de 2010

hello! alone!

"eu andei me achando um pouco só", eu disse. e sempre tem um que responde: "mas tu tá sempre cercada de pessoas."
a questão é que eu tou sempre cheia de gente na volta, mas elas nunca estão mesmo aqui, entende? elas só estão por estar, como se fosse de passagem. e realmente, sempre passam. mas eu continuo aqui. e até quando vai ser assim?
não sei. tento não nadar contra. são fases. uma hora alguém aparece e vira meu mundo de cabeça pra baixo. nunca dura muito. mas é sempre bom.
já tou tão acostumada que nem tento mais reverter a situação. tem vezes que dói. e muito. mas em alguns casos eu consigo ser minha melhor amiga. e assim eu sigo...
afinal, no fim vai ser eu contra mim mesma.

domingo, 11 de abril de 2010

dúvida

É como se fosse aquele restinho da cerveja que tu não sabe se bebe ou joga fora. Aquela mistura de baba, espuma e cerveja quente.

domingo, 4 de abril de 2010

Waking Life

Temos que ir na maré alta, o mar não recusa o rio. A ideia é manter num estado constante de partida e ficando sempre na chegada. Isso poupa apresentações e despedidas. A viagem não precisa de explicações, apenas de ocupantes. É como se tivesse vindo a este planeta com uma caixa de lápis de cera. Você pode conseguir uma caixa com oito ou então uma caixa com dezesseis, mas o importante é o que vai fazer com os lápis, as cores que lhe são dadas. Não se preocupe em desenhar dentro das linhas ou colorir fora delas, pode colorir fora das linhas, está me entendendo? A cor sai da página.
Estamos velejando no oceano, não estamos presos em terra.
*
O motivo de me recusar a aceitar que o existencialismo é como outra moda francesa ou curiosidade histórica, é que eu acho que ele tem uma coisa muito importante para nos oferecer no novo século. Eu sinto que estamos perdendo as virtudes verdadeiras de viver a vida apaixonadamente, no sentido de ter responsabilidade pelo o que você é, a habilidade de fazer alguma coisa por você e se sentir bem com a vida. O existencialismo é sempre discutido como se fosse uma filosofia do desespero mas eu acho que a verdade é bem ao contrário. Uma vez entrevistaram Sartre e ele disse que nunca sentiu um dia de desespero na vida, mas uma coisa que percebo vendo estes homens, não é um sentimento de angústia sobre a vida mas é uma espécie de exuberância, de se sentir acima disso, como se a vida fosse sua para criar.
Eu li os pós-modernistas com algum interesse, até admiração, mas quando eu leio sempre tenho uma sensação até ruim que alguma coisa totalmente essencial foi deixada para fora. Quanto mais se fala sobre uma pessoa, como uma construção social, ou como confluência de forças, ou fragmentada, ou marginalizada, o que você faz é abrir um mundo totalmente novo de desculpas, e quando Sartre fala sobre responsabilidade, não está falando sobre uma coisa abstrata, não está falando sobre o tipo de alma que os teólogos discutiriam, é uma coisa muito concreta, é você e eu conversando, tomando decisões, fazendo coisas e aguentando as consequências. Pode ser verdade que existam uns seis bilhões de pessoas no mundo, no entanto, o que você fizer, fará diferença. Faz diferença, primeiramente, em termos materiais. Faz diferença para outras pessoas e isso dá um exemplo, quer dizer, em resumo eu acho que a mensagem é que nunca devemos simplesmente nos acharmos ou nos vermos como vítima de várias forças, é sempre nossa decisão quem nós somos.
*
A busca é se libertar do negativo. O que é nossa própria vontade para nada. E quando falamos ''sim'' no momento, a afirmação é contagiosa. Se abre uma corrente de afirmações que não conhece limites. Dizer ''sim'' na hora certa, é dizer ''sim'' para toda a existência.
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Há dois tipos de sofredores neste mundo: os que sofrem por não terem uma vida e os que sofrem por terem muita vida. Eu sempre me considerei da última categoria. Se começar a pensar nisso, quase todo comportamento e atividade humana não é essencialmente diferente do comportamento animal. As tecnologias mais avançadas e artesanatos, nos levaram, no máximo, até o nível de super chimpanzés. Na verdade, a lacuna entre, digamos, Platão e Nietzsche e a média humana, é maior do que a lacuna entre aquele chimpanzé e a média humana. O reino do verdadeiro espírito, do verdadeiro artista, do santo, do filósofo, é raramente atingido. Por que tão poucos? Por que a história e evolução do mundo não é uma história de progressos, mas sim uma adição fútil e infinita de zeros? Nenhum valor maior foi desenvolvido, e os gregos, três mil anos atrás, eram tão avançados quanto somos. O que são essas barreiras que não deixam as pessoas chegarem a nenhum lugar próximo de seu verdadeiro potencial? A resposta a isso pode ser encontrada em outra pergunta, que é esta: qual é a principal característica do universo humano? Medo ou preguiça?
*
- Escuta, podemos fazer isto de novo? Eu sei que não nos conhecemos, mas eu não quero ser uma formiga, sabe? Quer dizer, vivemos nossas vidas com nossas antenas balançando uma pra outra, continuamente no piloto automático, com nada realmente humano exigido de nós. ''Pare'', ''vá'', ''ande aqui'', ''dirija ali'', toda ação basicamente pra sobreviver, toda comunição simplesmente para manter esta coluna de formigas andando de uma maneira eficiente e educada. ''Pegue seu troco'', ''papel ou plástico?'', ''crédito ou débito?'', ''quer que coloque catchup?''. Não, eu não quero uma migalha, eu quero momentos realmente humanos! Eu quero te ver, quero que me veja, eu não quero desistir disso, eu não quero ser uma formiga, sabe?
- É, é, nem eu! Eu também não quero ser uma formiga. E obrigado por ter esbarrado em mim, eu to andando no piloto automático ultimamente, não me sinto uma formiga na minha cabeça, mas eu acho que devo parecer uma. É como DH ...(não entendi o nome do cara) teve a ideia de duas pessoas se encontrarem na rua e ao invés de só passar e ir embora, eles resolveram aceitar o que ele chama de ''confronto entre as almas''. É como libertar os deuses corajosos de dentro de nós.

sábado, 27 de março de 2010

sentar e conversar um pouco mais

Muita gente acha que me conhece e na real não sabem nada de mim. Conversar uma vez que outra não significa conhecer. E acho que uma pessoa, pra me conhecer DE VERDADE, tem que conseguir chegar lá no fundo, sabe? Porque no começo normalmente a gente passa uma imagem que nem é nossa. E quando a pessoa consegue entrar na nossa intimidade, percebe que somos totalmente diferentes.
Não é querer dar uma falsa impressão. É normal do ser humano passar uma imagem que não é a dele.
Acho que isso acontece comigo. E tenho certeza que mais da metade das pessoas que eu falo, não me conhecem de verdade.
Eu não tou aqui agora pra me apresentar pra vocês e falar sobre minhas qualidades e defeitos. Só queria falar sobre uma coisinha que anda me atucanando.
Esses dias saí com um amigo e conversamos horrores e em meio a tantas conversas, entramos em um assunto que me fez dizer pra ele que pra mim vale mais passar horas e horas conversando com alguém que eu gosto, que estar ficando com ela. Não que eu seja assexuada e não goste de ficar com as pessoas. Não é isso. É só que eu me contento com pouco (apesar de não achar uma conversa pouca coisa), sabe? Posso ser exigente em alguns aspectos, mas nesse não sou mesmo. Acho que o mais importante não é o lugar em que vamos ir, a roupa que vamos usar, se vamos ficar ou não. Eu me contento simplesmente com a pessoa ali do meu lado. Acho que isso tá de bom tamanho e o que vier depois disso, é lucro.
O problema é que as pessoas são apressadas demais e nem querem saber de nada, só de chegar chegando. Aí acontece que passam o dia inteiro só naquela lenga-lenga de se beijar e não fazer nada mais de útil e fica uma relação a base disso. Sem conversa. Sem risadas. Sem nada.
Eu não gosto disso. Eu gosto de trocar ideias, de conversas construtivas às vezes e uns papos mongolões. Isso é fundamental. Só que as pessoas não entendem isso.
Só queria que as pessoas com as quais eu me relaciono entendessem isso e soubessem que se não quiserem mais nada comigo, é só chegar na sinceridade e falar, que eu fico de boa. Desde que a pessoa não saia da minha vida, tá beleza. Tá na hora de começar a conservar essas amizades.
Para encerrar, citarei um trecho de "O apanhador no campo de centeio", do Salinger, que fala exatamente sobre isso:

"- De qualquer maneira, gosto disso aqui, agora. Assim como estou agora. Sentado aqui contigo, batendo papo e só...
- Mas isso não é uma coisa!
- É muita coisa! Claro que é! Por quê não ia ser? As pessoas nunca acham que um troço assim é alguma coisa. Já estou ficando cheio disso."

interesses: demonstrações públicas de afeto

Às vezes eu acabo exigindo muito dos outros. Acabo pensando que se eu trato uma pessoa de tal maneira, a pessoa tem que me tratar igual. Sei que tá errado, mas é sem querer. Sei que tenho muitos amigos que não são de demonstrar o que sentem, ao contrário de mim, que demonstro de todas as formas possíveis e não consigo guardar nada aqui dentro.
Esses dias uma amiga veio falar comigo sobre o fato de eu ter me afastado dela. E eu disse: "resolvi me afastar porque não vejo motivo em tentar ficar do lado de alguém que não demonstra interesse em mim." Ela respondeu: "eu gosto de ti muito mais do que tu pode imaginar."
Tá aí o problema. Eu não quero que todas as pessoas mudem seu jeito de ser só pra eu ter noção do que elas sentem por mim, não é isso. Só que eu não vou insistir, sabe? Se a criatura não demonstra estar feliz na minha companhia, eu pulo fora. E depois sobra pra quem? Pra mim, que me afastei "do nada".
Então, meus amigos que não curtem demonstrar o que sentem, só peço pra que vocês sejam sempre sinceros comigo, da mesma forma que eu sou com vocês, e que quando eu não estiver agradando, é só falar. Porque aí eu largo de mão. Mas me digam de vez enquando que eu tou agrando, caso eu esteja mesmo, porque aí vocês não correm o risco de me perder.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Insônia?

Não durmo bem há dias, semanas talvez. Deito na cama, viro prum lado, viro pro outro e nada do sono vir. Aí resolvo abrir um livro ou ligar a televisão, e quando começa a dar aquela ardência nos olhos, eu penso "oba, hora de dormir!". Mas que nada. Apago a luz e continuo naquela de rolar na cama por horas e horas.
Claro que sempre tem uma hora que o sono realmente vem, lá por umas 4, 5 da manhã. E quando eu penso que vou ter um sono tranquilo, começo a acordar. Acordo de meia em meia hora, às vezes de uma em uma. Sempre olho o relógio e volto a dormir.
Mas é ruim, sabe? Levar horas pra pegar no sono e, quando finalmente pego, não é aquele sono profundo, que me faz relaxar.
Não sei o motivo disso tudo. Mas prefiro pensar que é só nervosismo misturado com ansiedade por causa dos provões finais de janeiro, resultado desse ano louco e atípico (maldita gripe suína).
Se for isso mesmo e tudo der certo (E VAI DAR), a partir do dia 11 eu volto a dormir bem.
Até lá, acho que aproveitarei minhas madrugadas acordada pra estudar. Quando vê, o sono vem mais rápido né, ha ha ha.

domingo, 27 de dezembro de 2009

dois mil inove

Eu tô tentando fazer um texto sobre meu 2009 há dias, mas sempre acabo escrevendo uns três parágrafos e deleto tudo pra começar do zero. Acho que isso é um reflexo do que foi meu ano.
''Começar do zero'' foi o que eu mais fiz nesse ano que chega ao fim. É difícil, é sim, mas se eu não colocar um ponto final em certas coisas, como eu poderia me jogar de cabeça em outras? Não teria a mesma intensidade, entende?
Numa visão geral, foi um ano bom. Passei por certas provas de fogo, mas o amor, no fim, venceu. Ele sempre vence.
Foi o ano em que eu mais amadureci, do meu ponto de vista pelo menos. E acho que isso que importa, né? Ninguém aqui paga minhas contas mesmo. O importante é eu reconhecer a mudança, o crescimento.
Foi o ano do desapego, de ligar o ''foda-se'' pra algumas coisas, da superação.
Foi o meu momento de inovar, de criar coragem pra colocar algumas coisas velhas no lixo dando espaço as coisas novas. Me desapegar do passado pra viver o presente intensamente.
Foi um ano de perdas também, e isso eu não posso dizer que superei (vide post anterior), mas faz parte né.
Foi o ano de sumir por um tempo dessa vida virtual, de ter um tempo pra mim, pra estudar mais, pra aproveitar outras coisas, enfim, pra pensar no que é prioridade e o que não é. Tipo aquela história da peneira de sempre-fica-só-o-essencial.
Foi o ano de apagar por completo algumas pessoas da minha vida, de sentir saudade de outras e de conhecer gente nova. E das brigas, claro. 2009 foi O ano das brigas. Quase todas por motivos bestas e um pouco de orgulho, mas algumas poucas por motivos mais sérios. Mas, como eu disse anteriormente, o amor sempre tomou conta e colocou as coisas em seus devidos lugares.
Foi o ano do primeiro monólogo, dos vários zeros em provas de matemática, de não aprender absolutamente nada em inglês e de aprender até demais em português (e ai de quem não aprendesse...) e de se candidatar a vice-presidente pro novo grêmio estudantil. E de vencer as eleições. ;)
Foi o ano de aprender a ter amor-próprio, de não me abalar por pouco, de aprender a deixar de lado o orgulho (ok, talvez não por completo, mas quase sempre ok), de aprender a me colocar na frente dos outros quando necessário, enfim, foi um ano repleto de aprendizagens. De erros também, afinal, ninguém é perfeito, mas aprendi também a levar coisas boas de todas as mancadas. Das minhas, e dos outros, ha ha ha.
Encerro esse ano com chave de ouro, não da melhor forma porque ainda preciso passar de ano, mas com certeza com o coração cheio e muitas lições pra levar pra seeeempre.
E lembrem: ''SER FELIZ SÓ DEPENDE MESMO DA GENTE''. Essa foi uma das coisas mais importantes que eu aprendi esse ano.


''Vai, que ninguém nasce pra se esconder! Por mais que seja ruim, pra que te aborrecer? Vou deixar. Quem sou eu pra te prender? Pra falar, pra arriscar, seja livre até pra se perder!''

sábado, 26 de dezembro de 2009

Nunca imaginei que fosse me sentir tão mal com a morte de alguém. Não por falta de amor, mas essas coisas não costumavam me atingir tanto. Eu sempre fui do tipo que se acostuma a qualquer situação. Mas, dessa vez, não consegui ser forte o bastante pra me acostumar a viver sem minha avó.
O natal desse ano foi o primeiro sem ela. Foi tudo diferente. A família reunida com sorrisos falsos no rosto, todos tentando passar a imagem de que estava tudo lindo, tudo ok, tudo no seu devido lugar. Mas, no fundo, todos estavam é com um vazio no peito.
Segurei o choro a noite do dia 24 inteira, o dia 25 inteiro, mas hoje não deu mais pra segurar. Tava no ônibus, vindo pra casa do meu pai, e vi uma criança com sua avó. A criança sorria enquanto a avó lhe entregava um saquinho com uma tortinha de morango. Aí eu gelei. Sempre que eu vinha pra cá, era recebida pela minha avó com uma tortinha de morango.
Lembranças dos momentos com ela tomaram conta do meu pensamento. Quando me dei conta, lágrimas rolavam pelo meu rosto e enxarcavam todo o meu óculos. Óculos, que bom que estava usando um, pensei. Assim dava pra disfarçar mais, bancar a forte, sabe? Mas na real sei que eu sou uma manteiga derretida. Pelo menos, ao se tratar dela.
Ela era aquela pessoa que segurava a barra por todo o lado, pra todo mundo. Sempre sorrindo, sempre fazendo piada, sempre ajudando. Uma pessoa com o dom de fazer o bem.
Não digo que foi injustiça ela ter ido, injustiça foi ela ter sofrido por todos aqueles meses em que esteve no hospital. Não compreendo porque uma pessoa tão boa, tão pura, tenha que passar por esse tipo de coisa. ''É o destino'', alguns dizem, mas não sei bem se é mesmo.
Só sei que nunca senti nada parecido com essa dor que sinto ao entrar nesse apartamento e não ver ela vindo na minha direção com as tais tortinhas de morango.
Queria ela de volta, aqui, agora. Sei que é impossível, portanto vou tentando viver com a ausência dela, do jeito que dá. O que me consola, o que me faz seguir em frente, é saber que um dia a gente vai se encontrar de novo. E ela vai me receber, onde quer que esteja, não sei se com tortinhas de morango, mas com certeza com os braços abertos e com muito amor.

''Always know that you shine brighter than anyone does.''


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

"Todo dia o mesmo caminho. A mesma rotina. Rostos já vistos antes, as mesmas ruas, o mesmo cheiro - as mesmas cores borradas pela falta de atenção. Enquanto os pés fazem o caminho habitual, a mente vai longe nos planos: verão, viagem, faculdade. De vez em quando o discurso de formatura vira agradecimento de Oscar, só depende do dia. Só depende. Fixo os olhos no pé direito e o mundo gira. Eu acompanho... no compasso pra não cair."
"- Tipo ácido - ela disse enquanto pegava o copo da mesa.
- Como assim? - indaguei, limpando o círculo de água que eventualmente mancharia a madeira.
- Que nem o cara que mergulhava o corpo das vítimas numa banheira de ácido, coisa e tal. Deve ser a pior dor... Mas depois não sobra nada, entende?
Ela me olhava como se fosse clara e pululante a ligação entre o Vampiro de Londres e o meu recente desamor.
- Mas sempre ficam as lembranças. - retruquei.
- Num dado momento elas cessam de pertubar o sono. Aí tu vai ver de perto... - ela suspirou e deu um passo à frente - e não tem mais nada ali... Só o ácido.
Ela deu um último gole, largou o copo na pia e me abraçou.
- Tá, esquece a droga do ácido... O que eu sei é que passa. E quando tu quiser alguém pra manchar essa tua mesinha de canto, me liga.

Sempre tive bons amigos."

City of angels

- If you'd known this was going happen, would you have done it?
- I would rather have had one breath of her hair, one kiss of her mouth, one touch of her hand, than an eternity without it. One.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Eu era uma concha vazia. Como uma casa vazia, por meses sem ninguém - uma casa condenada -, eu era completamente inabitável. Agora havia algumas melhorias. A sala da frente estava em reformas. Mas era só isso - só um cômodo pequeno.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Eu plantei em segredo e, em segredo, venho mantendo, sementes de abóbora no jardim de várias pessoas. Pessoas que eu achava que precisavam ver crescer no seu jardim um canteiro de abóboras.

domingo, 3 de agosto de 2008

sexta-feira, 18 de abril de 2008

eu sei que não tinha meu par ideal
mas a gente se via sempre que podia
não sei porque me apeguei tanto
a responsabilidade é minha
você não me deve nada
mas não sou capaz de ir embora

sábado, 29 de março de 2008

a little princess

"O que quer que aconteça", disse ela, "não pode mudar uma coisa. Se sou uma princesa em trapos e andrajos, posso ser uma princesa por dentro. Seria fácil ser princesa se eu estivesse vestida com tecido de fios de ouro, mas é um triunfo muito maior ser princesa o tempo todo, sem ninguém saber."

the kite runner

- Como pode saber? - perguntei.
- Eu sei.
- Como?
Ele se virou para mim. Algumas gotinhas de suor escorriam de sua cabeça raspada.
- Já menti para você, Amir agha?
De repente, resolvi implicar com ele.
- Sei lá - respondi. - Já?
- Mil vezes comer cocô! - exclamou ele com ar indignado.
- De verdade? Você faria isso?
Ele me lançou um olhar desconcertado.
- Faria o quê?
- Comer cocô, se eu mandasse - respondi. Sabia que estava sendo cruel, como naquelas vezes em que debochava dele quando não conhecia uma palavra qualquer. Mas havia algo de fascinante, embora de um jeito doentio, em implicar com Hassan. Era um pouco como brincar de torturar insetos. Só que, agora, ele era a formiga e eu é que estava segurando a lupa.
(...)
- Se você mandasse, faria, sim - disse ele afinal, olhando bem para o meu rosto. Baixei os olhos. Foi aí que descobri como é difícil olhar diretamente nos olhos das pessoas como Hassan, essas pessoas que dizem sinceramente o que pensam.